sábado, 3 de outubro de 2009

Uma revolução democrática, segundo eles

A História que Precisa Virar História

Antecedentes e Revolução Democrática de 1964)

Getúlio Vargas, deposto em 29 de outubro de 1945, retornaria ao poder, pelo voto, em 31 de janeiro de 1951. Eis aí a gênese da cisão dos militares, grosso modo, em duas facções - getulistas versus anti-getulistas. O envolvimento de parte dos chefes militares na política partidária, prática comum a época, hoje abominada, contribuiu para o agravamento de crises, que, de outra forma, teriam se restringido a meras querelas políticas, incapazes de com-prometer a normalidade institucional do País.

Em 1951 e 1955, políticos perdedores das eleições presidenciais brandiam a tese da ilegitimidade dos eleitos, alegando a não-obtenção da maioria dos votos. Já em 1954, virulenta oposição ao Presidente Vargas conduzira-o ao gesto extremo do suicídio, que o tirou da vida para colocá-lo na História.


Durante o Comício de 13 de maço de 1964, realizado em frente ao Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro ficou claro que as "Reformas de Base" seriam feitas na lei ou na "marra".

As “novembradas” de 1955, golpes e contragolpes, assim considerados por esse ou aquele lado, acarretaram grande intranqüilidade ao povo, empenhado apenas em trabalhar e fazer progredir a Nação. Empossado, o Presidente Juscelino Kubitschek enfrentaria duas rebeliões armadas: Jacareacanga e Aragarças, rapidamente sufocadas e habilmente esvaziadas.

Em 1961, o Presidente Jânio Quadros escolheu o Dia do Soldado, 25 de agosto, para surpreender a Nação, renunciando ao mandato concedido pela maioria do povo. Instaurava-se nova crise institucional no País, arrefecida com o advento do parlamentarismo, de curta duração, que permitiu a posse do Vice-Presidente João Goulart.


O povo brasileiro saiu às ruas nas "Marchas da Família com Deus pela Liberdade" para protestar contra o clima de agitação e insegurança que envolvia a Nação brasileira, ameaçando levá-los ao caos político e social.

O Governo pretendeu implantar reformas, ditas de base, à revelia do Congresso Nacional. Para agravar a situação havia clima de quebra da hierarquia e da disciplina nas Forças Armadas em ambiente de grande agitação. A reação popular, contrária a esse estado de coisas, manifestar-se-ia nas “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”. O epílogo dessa situação ocorreria a 31 de março de 1964, quando tropas da 4a Região Militar, apoiadas pelo Governo de Minas Gerais, rebelaram-se. O dispositivo militar que dava sustentação ao governo federal desmoronou, em virtude da adesão majoritária das Forças Armadas ao movimento. Não ocorreu derramamento de sangue, sinal de que havia perfeita sintonia entre elas e a Nação.

Vitoriosas, as tropas revolucionárias foram recebidas com aplausos pela população, que saudava a volta do País à normalidade.

Eufórico, o povo vibrou nas ruas com a prevalência da democracia, restabelecida com a vitória do movimento de março de 1964.

Os recentes fatos da História contemporânea demonstram que o povo brasileiro estava certo quando, na década de 60, optou pela democracia.

fonte Site do Exército http://www.exercito.gov.br/01inst/Historia/sinopse/historia.htm


Fica a questão: quantos jovens que servem o serviço militar anualmente e são forjados nesse pensamento, sem a capacidade de questionar esses fatos da nossa história, cumprindo bem seu papel de reprodutor de mais esse absurdo glorioso da nossa história?

Seja marginal

Seja herói

Diogo Tribino

3 comentários:

  1. Esse texto reflete o Exército em sua essência: sob as prerrogativas de manutenção da "Ordem", da "Constituição" e das "liberdades democráticas individuais", esconde-se a função desmobilizadora das massas e explicitamente protetora da apropriação privada do capital social.
    Foi desse modo em 1964 e nos demais países latino-americanos da época e vemos algo semelhante na atual Honduras.

    Agora, não menos assustador é o ressurgir do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, criado em 1961, na figura do "divulgador de valores para o desenvolvimento humano" Instituto Millenium. A identidade de interesses salta aos olhos:

    http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jgoulart/htm/6Na_presidencia_republica/O_Instituto_de_Pesquisa_e_Estudos_Sociais.asp

    http://www.imil.org.br/institucional/missao-visao-valores/

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  2. Institucionalmente, o discurso reinante e senso comum entre as tropas é esse: O golpe de 1964, na verdade teria sido "revolução", por que contou com a participação de seu maior beneficiado,o povo. O texto usado pelo Diogo, é passível de comparação com outro, que está na edição de abril de 2000 da Revista "A defesa nacional", editada pela Biblioteca do éxercito. Ainda que "A defesa nacional" possa confrontar em seus artigos as mais diferentes vertentes do militarismo (radicais de direita, golpistas de 64 e até legalistas), a revista naquela oportunidade saudou o "Movimento cívico-militar de 1964". Ora, mas é pungente nessa oportunidade, destacar o discurso do Exército. Em 1964, as forças militares nessa frente reacionária às reformas de base de Jango, eram o exército e a Aeronáutica, que já sabiam do golpe planejado pela marinha (já há indicios de golpe contra o golpe para instaurar uma outra ditadura de direita). Daí em diante, se seguiram 21 anos de torpor: AI-5 em 1968, Médici ascendendo em 1969, inicio da trans-amazônica em 1970, Geisel em 1974, vitória nas eleições estaqduais em 1974 pelo MDB, Morte de Herzog em 1975 e abertura política em 1977, com a volta dos anistiados em 1979. O espólio deixado pelos milicos se dá na nossa compreensaõ de democracia; criou-se um jogo onde quem ganha é quem se torna mais hediondo e mais sanguinário; enquanto a Esquerda agir como Direita usando o terror de 64 como justificativa, e a Direita esconder seus crimes, nossa visão de democracia será limítrofe; Por isso, num plano geral, acredita-se que houve em 1889, um movimento de massas, na verdade conduzida por republicanos positivistas, com parcas promessas liberais. A história brasileira mostra a ingerencia dos milicos desde Marechal Floriano e Deodoro, mas esquece de Gaspar Dutra e de como ele foi fundamental na volta do próprio Getúlio (Foi o primeiro a ser citado para o cargo de castello Branco em 1964). Fica uma pergunta baseada neste texto (e na Caros Amigos de Agosto de 2004) e que jogo aos colegas: Haveria golpe de 64, se Getúlio estivesse vivo??? E o que teríamos hoje, na nossa visão acerca dos milicos??? Parabenizo o blog. Qualquer veículo para o debate merece respeito.

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  3. Só relembrando que a frase emblemática que o Diogo usou foi lema da mostra de Hélio Oiticica! E sobre a Esquerda em si, não me referi aos tempos da resistência aos milicos, onde havia a luta armada, mas sim o processo porterior no parlamento, quando a Esquerda passou a, dentro da democracia burguesa, a usar as armas da institucionalidade (inclusive acordos com ex-membros do regime).

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